quinta-feira, 14 de maio de 2009

o gosto amargo do doce amor


Tinha agora o amargo deitado em minha boca quente,
e não entendia o porque,
tinha eu descoberto enfim o amor?
E seria então o doce amor já amargo?
Se carregava eu no ventre vazio
todas as perguntas proibidas de respostas,
o amargo seria um certo medo da vida?
O que de fato eu temia?

Quantos trens serão necessários partir para que eu me encontre com Deus?
Quantos livros vou ter que deixar de ler para aprender a me inscrever?

O que eu encontro em você que chamo agora de amor?
Se já sinto o gosto amargo, sendo o amargo bom,
Porque o amargo é a vida que pulsa violenta em meu sangue
que se esparrama pelo meu corpo fértil,
Tantos, novos e eternos quereres...

À quem encontro no fim desta linha férrea?
Você que me chegou assim,
sem nenhum aviso,
sem nem dizer-me bom dia,
chegou-me de noite, menino,
me colocou em sua cama
e velou meu sono,

E tive então coragem de olhar nos olhos
e dei-te mais do que meu corpo quente,
quando me entreguei a ti,
nos mares uruguayos da velha cidade encantada,
dei-te toda a minha alma fria,
minha meninice,
meu dentro escondido,
meu doce fluído,

Mas não te escolhi
E nem me perguntei
Se era ou não você,
E nem mesmo abri espaço,

Foi como o desabrochar de uma flor,
Um dia eu acordei,
E a manhã já era ela a própria flor.

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