segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

la nege

na terra de sartre e simone, ontem lá do céu, choveram flores brancas de papel
o frio traz a neve, e enbranquece de melancolia as ruas gélidas de lutece.
meus olhos de criança, olharam pela primeira vez, a beleza lúdica de um choro
brando e branco que o céu despeja quando o vento congela e corta as entranhas dos homens que aqui embaixo caminham pela vida...

eu vi a neve ontem com um sorriso de criança no coração...

eu chorei as horas em que ele não veio,
e chorei todos os telefonemas que ele não fez...

eu teimo ainda (e sempre) em acreditar no amor.

a felicidade é busca de cada passo dado...

sorriso que surge do mesmo lugar que surge a mais sentida lágrima.

eu aceito. eu afirmo. eu caminho.

aqui nesta terra onde sou estrangeira, aprendo a olhar, a falar, a pensar.

aqui nesta terra estrangeira, da onde vejo de longe aquilo que é meu,
aprendo a afrancesar um pouco os gestos languidos das minhas mãos...
procurando novas maneiras de falar palavras e escrever as linhas...

sou aquilo que sou...
ás vezes tão dificil de ser,
ser mulher, estar só, conhecer a neve,
tantos novos amigos e lugares e possibilidades...

ainda pedalo a minha bicicleta, e o vento gela a minha alma
me sinto viva!

queria me deitar com picasso...

simone e sartre...

e inventar romances e cantar gainsbourg...

e escrever poesias de rimbaud...

e voltar no tempo para ver 68 acontecer...

e mais ainda...

para ver os romantistas revolucionarem...

e fumar ópio com baudelaire...

ontem em paris a neve caiu do céu como flocos de papel...

e o meu caminho está cheio de anjos...

e o meu sorriso cheio de flores...

mas ele... ainda não veio me aquecer...

talvez eu o esqueça...

por que o tempo leva nele...

tudo aquilo que muito se espera...

as flores em paris estão em silêncio adormecido...

as folhas caíram todas no chão, que ficou amarelo triste de tanto choro chorado,

é tempo de recolhimento,

de deitar em camas mornas de melancolia,

mas eu gosto do cinza parisino,

das suas pontes que atravessam as águas do sena...

da linda e branca notre dame...

das livrarias... e dos chapéus das moças...

é tempo de espera,

a primavera é o novo lugar,

em que eu espero sonhar...

quero amar,

todos aqueles em que eu reverberar...

quero romper, quebrar, facetar... multifacetar

a imagem conhecida, pré concebida...

quero me reconhecer...

quero conhecer tudo de novo,

reaprender a sentir, a amar, a chorar, a estar...

a cada passo dado... uma vida vivida...

eu sou aquela que eu sou.

que olha e sente e ama e chora e pensa e fala.

eterna estrangeira de mim mesma,

passeio dentro de mim e dos meus pensamentos,

paris sou eu.

o desconhecido é o meu próprio corpo,

território sempre vasto,

para ir sempre além,

na busca de redescobrir-se...

para poder perder-se

e assim nunca saber...

e sempre se surpreender...

por que ás vezes no céu...

as lágrimas são brancas...

e no café da esquina...

um novo sartre e uma nova simone...

e cores de picasso inspiram...

e um novo amor que canta, surgirá enfim...

ah! a primavera... que sonha todo o meu corpo...

Um comentário:

Renata Calmon disse...

Você é uma romântica!